O selo Strut, especializado em reeditar jóias e brilhantes do passado da pista de dança, foi ressuscitado esse ano.
O Strut originalmente funcionou de 1999 a 2003. Nesse tempo lançou uma tonelada de coletâneas fantásticas, abrangendo de disco underground a pós-punk a afrobeat a hip hop old school. Entre estas vale destacar:
O Strut versão 2008 é subsidiário do selo !K7, responsável pela excelente série DJ Kicks.
Os selo recomeçou com dois lançamentos absolutamente essenciais: uma edição fresquinha de Disco Not Disco e o sensacional Funky Nassau - The Compass Point Story 1980-1986.
Esta última registra o legado do estúdio Compass Point, de Nassau, Bahamas. Montado por Chris Blackwell, dono da Island, lá foram gravados discos clássicos de Grace Jones, Ian Dury, Kid Creole e Talking Heads, entre vários outros.
O som do Compass Point típico era um pop-funk-dub cristalino e groovado que foi muito influente no começo dos anos 80 e que vem sendo revisitado pela galera da nu-disco como Brennan Green e Chicken Lips.
Saindo agora do forno pela Strut: Disco Italia: Essential Italo Disco Classics 1977-1985, organizada por Steve Kotey, metade dos Chicken Lips, e cheia de bambinos obscuros; uma compilação do lendário grupo Kid Creole; e uma seleção de funk africano chamada Nigeria 70.
O site deles também promete para breve alguma coisa do Grandmaster Flash, mas sem maiores informações.
Por volta da segunda metade dos anos 70, produtores como Giorgio Moroder,Cerrone,Telex e Patrick Cowley começaram a utilizar uma linguagem eletrônica dentro da Disco Music criando assim o que hoje se denomina como Electro.Temas como “Supernature” do “Cerrone”, ”I Feel Love da Donna Summer” (produzido por Giorgio Moroder),”Moscow Discow” do “Telex”,”You Make Me Feel (Mighty Real)” do “Sylvester” ou “I Wanna Rock You” de “Giorgio Moroder” eram inovadores,e levavam ao delírio quando ouvidos nas pistas de dança.
DONNA SUMMER - I FEEL LOVE
TELEX - MOSCOW DISCOW
Obviamente existia aqui uma forte influência do Kraftwerk, que apesar de não serem um projeto Disco,tinham temas como The Robots,The Model,Trans-Europe Express,Radio-Activity ou Showroom Dummies a serem tocados em pistas de dança mais dedicadas à Disco.
Kraftwerk – the model
Um dos estilos mais influenciados por esta proximidade entre a Disco Music e as sonoridades eletrônicas foi o Italo-Disco, surgido,como o próprio nome indica,na Itália,por volta de 1980.Este estilo surgiu devido á dificuldade que os produtores de Disco tinham em encontrar músicos tão competentes quanto os que tocavam habitualmente nos projetos norte-americanos,franceses ou alemães.Assim sendo,começaram a recorrer á tecnologia existente,criando uma sonoridade Disco um pouco "crua",mas ao mesmo tempo inovadora e também fortemente dançante. São típicos deste gênero de sonoridade temas como Dance Boy Dance de Alexander Robotnick,Spacer Woman de Charlie,Cybernetic Lover dos Casco,Dirty Talk dos Klein & Mbo ou Robot Is Systematic do ´Lectric Workers.
Charlie -Spacer Woman
Casco -Cybernetic Lover
Este gênero teve os seus anos de ouro,em termos de criatividade,entre 1980 e 1983.A partir dessa data este começou a perder a sonoridade "crua" que o caracterizava,começando a tornar-se mais melodioso e acessível,de modo a tornar-se mais "comercial",surgindo assim bandas e cantores como Silver Pozolli,Baltimora,Sabrina e até sucedâneos de países germânicos como os Modern Talking ou a Sandra...
Outro estilo que também surgiu no início dos anos 80 foi um estilo de Electro-Disco que recorria a técnicas de produção do Dub jamaicano,como "reverbs","delays","echos",baixos marcantes e batidas eletrônicas com eco.Os principais artifícios deste estilo foram produtores como Larry Levan (também DJ no Paradise Garage nova-iorquino),François Kevorkian,John "Jellybean" Bennitez,Shepp Pettibonne,Arthur Baker,entre outros.São típicos deste gênero temas como Seventh Heaven (Larry Levan Mix) de Gwen Guthrie,Heat You Up(Melt You Down) de Shirley Lites,Walking On Sunshine dos Rockers Revenge,Don´t Make Me Wait dos Peech Boys,Keep On (François K Mix) de D-Train ou I.O.U. dos Freeeze.
Shirley Lites - Heat You Up(Melt You Down)
Peech Boys - Don´t Make Me Wait
Este estilo teve grande aceitação até 1986,altura em que começou a pouco e pouco a dar lugar ao House,estilo aliás que também é fortemente influenciado por Electro-Disco.
Outro estilo que surgiu no início dos anos 80 foi o denominado Hi-NRG,estilo bastante tocado em discotecas "gay",mas que não era só apreciado por estes.Este gênero de Electro descendia das produções iniciais de Patrick Cowley,e era caracterizado por ter uma batida electrônica ligeiramente mais acelerada que a dos outros estilos e por ter vocalizações que mais faziam lembrar as que se ouviam em bandas New Wave ou Electro-Pop.Um dos produtores mais relevante deste estilo era Bobby Orlando,mais conhecido como Bobby O, e tanto editava em nome próprio (temas como She Has A Way ou I´m So Hot For You),ora produzia temas para as Flirts (Passion ou Helpless) ou para o travesti Divine (Native Love ou Jungle Jezebel).Chegou inclusivamente a produzir a 1ª versão do tema West End Girls dos Pet Shop Boys.Outro produtor relevante foi Ian Levine,responsável pelo tema So Many Men,So Little Time da Miquel Brown.Outro projeto relevante eram os Lime,com temas como On The Grid,Your Love ou Angel Eyes.Foi outro estilo que também começou a esmorecer com o surgimento do House.
Divine – native love
Outro estilo surgido também no início dos anos 80 foi o que é hoje conhecido como Electro Old-School,que fundia as sonoridades electrônicas com o Hip-Hop e o Funk (tanto que na altura este estilo era conhecido como Electro-Funk).Este estilo devia também muito aos Kraftwerk,tanto que um dos principais hinos deste estilo,o Planet Rock dos Afrika Bambaataa & The Soulsonic Force utlizava samplers tanto do Trans-Europe Express como do Numbers dos Kraftwerk.Os Kraftwerk sempre foram aceite pelas comunidades negras e hispânicas,sobretudo residentes em locais como Nova Iorque,Miami,Los Angeles,Chicago e Detroit.Era uma sonoridade robótica,com muitas vozes metalizadas (feitas ou com vocoders ou com talk-boxes),e com um estilo de dança a meio caminho entre o robótico e o acrobático,o "Breakdance".Este estilo de dança aparece bem documentado em filmes como Beat Street e Breakin´.Temas característicos deste estilo eram Hip-Hop,Be Bop (Don´t Stop) de Man Parrish,Egypt Egypt de Egiptian Lover,Clear dos Cybotron,Let The Music Play da Shannon,Breaker´s Revenge de Arthur Baker,Al-Naafiysh(The Soul) de Hashim,The Message de Grandmaster Flash & The Furious Five,Rockit de Herbie Hancock,Jam On Revenge dos Newcleus ou Needle To The Groove de Mantronix.Este estilo durou até cerca de 1987,mas teve os seus anos de ouro entre 1982 e 1985.
Grandmaster Flash & The Furious Five - The Message
Man Parrish - Hip-Hop,Be Bop (Don´t Stop)
Tambem vindo diretamente dos Kraftwerk é o Electro-Pop,que tem uma forte influência britânica,que basicamente é utilizar a tecnologia empregue pelos Kraftwerk na construção de canções pop (nada que os próprios Kraftwerk também já não fizessem,diga-se de passagem...).Este estilo terá surgido por volta de 1978,e á volta deste estilo nasceram bandas e cantores como o Depeche Mode, Human League, Gary Numan ou o Soft Cell(posteriormente,já no decorrer dos anos 80 surgiriam bandas como Erasure, Pet Shop Boys ouNew Order,que eram os Joy Division com outro nome,após a morte de Ian Curtis).Contemporâneos da vaga Electro-Pop são também projetos que produziam um som eletrónico mais dentro de uma estética industrial,como o Cabaret Voltaire,o Normal ou os Throbbing Gristle.Este gênero de projetos,em conjunto com as bandas de Electro-Pop também iriam servir de inspiração ao movimento da chamada Electronic Body Music (EBM) popularizada por grupos como os Nitzer Ebb ou os Front 242.
Soft Cell – Tainted Love
front 242 - headhunter
Outros dois projetos importantes para se perceber a evolução do eletrônico dentro de sonoridades mais dançantes são os suíços Yello e o nipônicos Yellow Magic Orchestra,ambos surgidos no final dos ano 70,e claramente influenciados pelos Kraftwerk,e também muito ouvido em pistas de danças.
YELLOW MAGIC ORCHESTRA – computer games
Aliás, não era anormal ouvir-se numa mesma noite em lugares como o Paradise Garage ou o Funhouse ou o Roxy em Nova-Iorque ou no Music Box de Chicago vários temas pertencentes a estes diversos estilos aqui citados.A esmagadora maioria dos DJs naquela altura eram bastante abertos a novas sonoridades e a misturar vários estilos durante a noite(e não só eletrônicos,mas também estilos como a 1ª encarnação do Punk-Funk,o New-Wave,etc),ao contrário de hoje em que se cinge muito apenas a determinado estilos...
Esta coletânea é um presente para os frequentadores da festa mais agitada da região...SAMBAGROOVE já está na sua 19ª edição...VIDA LONGA AO SUINGUE!!!
set list:
01 - black rio - maria fumaça 02 - seu jorge - samba rock 03 - trio mocotó - kriola 04 - tim maia - bom senso (max de castro mix) 05 - bebeto - a beleza é você menina 06 - elza soares - mas que nada 07 - noriel vilela - 16 toneladas 08 - maria fumaça - vitrola de bamba 09 - b negão - funk até o caroço 10 - pedro luis e a parede - caio no suingue 11 - farofa carioca - são gonça 12 - marcelo D2 - cd 13 - black rio - chega mais 14 - ray charles - hit the road jack 15 - james browh - sex machine 16 - art popular - quero meu dinheiro 17 - eliseth cardoso - eu bebo sim 18 - jorge ben - bebete vãobora
bem galera, não podiamos deixar de registrar essa matéria...
APARTHEID: ESPAÇO NEGRO É DISCRIMINADO E VIGIADO NA VIRADA CULTURAL
Como os mecanismos racistas apareceram na organização da Virada Cultural, na sua cobertura e mesmo nos comportamentos de pessoas que freqüentaram os espaços de música negra.
Dennis de Oliveira*
Entre tantos confetes despejados pela mídia para a Virada Cultural - principalmente pelo fato do Poder Público mobilizar sua estrutura para criar um 'simulacro' de paz no degradado centro de São Paulo, permitindo que a classe média possa passear tranquilamente nas ruas cotidianamente ocupadas por mendigos, trombadinhas, prostitutas, vendedores de crack e outros párias - não passaram despercebidas as atitudes racistas da organização do evento para quem freqüentou o espaço destinado à apresentaçãodos grupos de hip-hop e black music.
Dentro da filosofia de segmentação dos espaços de acordo com os ritmos apresentados, a organização da Virada Cultural 'segregou' o hip-hop e a black music para um local mais distante do centro, a Praça Cívica do Parque D. Pedro, atrás da antiga sede da prefeitura, o Palácio das Indústrias. O local é de acesso difícil e fica mais distante da maioria dos espaços centrais onde aconteceram outras apresentações.
Os freqüentadores deste espaço na Virada, além de enfrentarem a distância, ainda passaram pelo constrangimento da ação ostensiva da Polícia Militar que mobilizou o seu maior contigente para este local e ainda praticaram atos que não se verificaram em outros espaços, como uma rigorosa revista em bolsas, sacolas e no próprio corpo, tanto em homens como em mulheres. A entrada de cervejas e refrigerantes em lata foi proibida (ao contrário de outros locais, onde a venda de bebidas era livre).
O rapper Rappin' Hood afirmou: 'Estamos sitiados'. Para Thaíde, 'a localização do palco é uma forma de demonstrar o preconceito'. Estas duas declarações foram publicadas na matéria Rappers reclamam de revista da polícia e do local do palco publicada na Folha de S. Paulo de 28 de abril, na página E-5. Na mesma página, a Folha de S. Paulo dá destaque para uma ação policial que impediu a apresentação de um grupo francês de dança no largo Santa Ifigênia. Esta mesma matéria é iniciada da seguinte forma: Foco de atenção da última Virada Cultural com o show dos Racionais MC's na praça da Sé - que terminou em pancadaria entre policiais e espectadores - o hip hop ficou longe do núcleo da festa nesta edição do ano.
O que se infere desta abertura da matéria é que adiscriminação deu-se por conta de uma visão construída, a partir da generalização de um fato particular, de que show de rap é um risco e, portanto, deve ser segregado e colocado sob rígida vigilância. A lembrança ao episódio do ano passado que envolveu os Racionais também é lembrada na matéria sobre o problema com o grupo francês de dança, com destaque inclusive no 'olho' (O secretário municipal decultura … disse que a ferida de 2007 ainda estrá aberta).
Traduzindo: o fato que ocorreu no show dos Racionaisno ano passado prejudicou, em primeiro lugar (seguindo a hierarquia estabelecida pelo jornal em termos de destaque) a apresentação do grupo francês de dança e também foi responsável pelo constrangimento a que tiveram que passar os fãs de hip-hop e black music neste ano. A culpa é dos pretos pobres que impedem que se civilize a cultura e o centro de São Paulo degradado pelos párias (prostitutas, mendigos, 'crackeiros', bêbados).
No palco do samba, na Santa Ifigênia, durante a apresentação do Quinteto em Branco e Preto no domingo à tarde, um grupo de jovens, brancos e declasse média, se divertia fumando cigarros e cigarros de maconha, bebendo latas e latas de cerveja e outras bebidas alcóolicas, apresentando-se totalmente tontos e prestes a cair em cima de pessoas - atitudes que socialmente são justificadas pelo visual 'hippie' e pela permissividade de comportamentos quando estes são praticados por pessoas da classe média branca em espaços negros. Nenhuma crítica moralista nisto, mas nota-se com os fatos que o inverso não é verdadeiro. Ou será que jovens negros podem ficar alterados com bebidas e drogas na apresentação, por exemplo, de um grupo de dança francês?
(*) Professor da Escola de Comunicações e Artes daUSP, jornalista, doutor em Ciências da Comunicaçãopela ECA/USP, presidente do Celacc (Centro deEstudos Latino Americanos de Cultura e Comunicação) e membro do Neinb (Núcleo deEstudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro).
O projeto surgiu inicialmente com o nome SAMBAGROOVE em 2005, em uberlândia-mg, no extinto ESTAÇÃO CULTURA. A idéia era trazer grandes clássicos da black music em estilos diversos como: sambarock, funk, reggae, soul e hip-hop interpretados pela banda Maria Fumaça (MAFU) e sempre trazer djs e músicos convidados. Com uma proposta bem simples (foto do primeiro cartaz acima) a primeira edição foi um sucesso, encantando os presentes em uma noite dançante e vibrante. Naquela noite memorável se encontraram pessoas unidas pelo mesmo ideal: dançar e ouvir uma boa música. Atraiu pessoas de várias gerações e formadores de opinião da cena cultural da cidade. Começava neste dia (16/07/05), um novo conceito em balada em uberlândia e região.